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Gato Com Insuficiência Renal – Sintomas e o Que Fazer

gato com insuficiencia renal

Sabia que 1 em cada 3 gatos sofrem de insuficiência renal ao longo da sua vida?

Não admira que esta doença deixe qualquer dono desesperado porque, para além de complicada pode causar danos irreversíveis.

Foi por isso que criámos este artigo, como um guia essencial, prático e detalhado sobre tudo aquilo que precisa de saber nesta fase complicada da vida do seu gato.

Mas comecemos por compreender esta doença:

A insuficiência renal dá-se quando os rins deixam de conseguir filtrar os resíduos existentes no sangue e essas toxinas começam a acumular-se na corrente sanguínea. É uma doença muito comum nos gatos, principalmente nos mais idosos.

Como deve saber, filtrar essas substâncias tóxicas e eliminá-las pela urina é uma das funções principais dos rins. Se os rins falharem o seu animal pode sofrer danos muito graves.

O que nos leva a perguntar:

Porque é que análises regulares no veterinário são tão importantes?

Porque por vezes pensamos que está tudo bem e que não há necessidade do nosso gatinho passar pelo stress todo dos exames. Mas o pior é quando nos enganamos. As análises regulares servem para prevenir e evitar males maiores, para que desta forma, à mínima alteração significativa possamos actuar de imediato.

Em doenças como esta os sintomas podem manifestar-se já em fazes muito avançadas, por isso é essencial adoptarmos um comportamento preventivo.

Mas vamos aprofundar:

Existem 2 Tipos de Insuficiência Renal

Insuficiência Renal Aguda

Que pode ser causada por uma infecção ou pela ingestão de toxinas e que se caracteriza pela incapacidade repentina dos rins desempenharem as suas funções. Dependendo dos casos, os danos que a insuficiência renal aguda causa no gatinho podem ou não ser reversíveis.

Insuficiência Renal Crónica

Ocorre quando existem danos irreversíveis nos rins durante um longo período de tempo, prejudicando a sua capacidade de eliminar as toxinas do sangue. A insuficiência renal crónica é uma condição irreversível e na maioria dos casos a sua causa subjacente é desconhecida.

Contudo em Outubro de 2016 foi publicado este estudo por uma equipa de investigadores da Universidade de Tóquio. Segundo os investigadores, a proteína AIM (Inibidora da Apoptose dos Macrófagos) que em humanos e ratos ajuda a limpar a corrente sanguínea de obstruções e restaura as funções dos rins, por alguma razão não funciona correctamente em gatos doentes.

É ainda uma investigação recente que sem dúvida pode ajudar a desenvolver medicamentos capazes de ter um grande impacto na longevidade dos gatos, mas até lá, ainda não existem causas subjacentes oficiais.

Mas isto não significa que não se conheçam outras causas como por exemplo:

  • Doença Renal Polícistica: uma doença onde os rins têm pequenos cistos com líquido e que com o passar dos anos vão aumentando de volume até danificarem os rins. É bastante comum nos gatos persas, contudo não é exclusiva dessa raça e pode mesmo afectar os humanos.
  • Tumores: Por exemplo os línfomas podem afectar os rins.
  • Infecções: Infecções nos rins podem danificá-los o suficiente para causar-lhes IRC.
  • Toxinas: Algumas toxinas e medicamentos podem danificar os rins.
  • Glomerulonefrite: lesão ou inflamação dos glomérulos – unidade funcional dos rins responsável pela filtragem do sangue. Se as infecções forem prolongadas podem causar IRC.

Basicamente, numa fase inicial a funcionalidade dos rins é suportada pelas suas áreas saudáveis. Mas conforme a doença progride as áreas saudáveis deixam de ser capazes de compensar os danos gerais que as áreas afectadas provocaram, e é quando os sintomas começam a manifestar-se.

É verdade que é uma condição irreversível, mas saiba que existem tratamentos capazes de travar a progressão da insuficiência renal crónica e de aliviar os seus sintomas.

Apesar de manifestar-se em gatos de qualquer idade é mais comum em gatos idosos, porque à medida que estes vão envelhecendo certas partes do rim vão deteriorando-se gradualmente.

Nota: Um dos grandes erros dos donos é continuarem a dar ração de adulto – altamente proteica – quando os seus gatos já são seniores. Esses níveis altos de proteína podem facilitar a progressão da doença em gatos já com uma certa idade.

Repare no seguinte gráfico:

gato com insuficiência renal

Como podemos ver, é a partir dos 10 anos de idade que a doença começa a manifestar-se, mas causas genéticas ou infecções podem também afectar gatos mais jovens.

Perante isto, quais são os primeiros sintomas da doença?

11 sintomas que podem indicar problemas nos rins do seu gato

  • Fazer xixis com muita frequência: Pode pensar que os rins estão a funcionar correctamente, mas na verdade significa que o seu gato já não consegue reter água. Urinar fora da caixa de areia pode também ser um sinal.
  • Beber muita água: Indica que o seu gato está a tentar repôr os fluidos que perdeu através da urina.
  • Infecções bacterianas da bexiga e dos rins: Desenvolvem-se facilmente na urina diluída que é produzida por rins em falência.
  • Perda de peso e falta de apetite.
  • Vómitos, diarreia e urina com sangue ou turva.
  • Úlceras na boca: Principalmente na gengiva e na língua.
  • Mau hálito: Com odor semelhante a amoníaco.
  • Língua acastanhada.
  • Pêlo seco.
  • Prisão de ventre.
  • Falta de energia e apatia.

Diagnóstico

Reparou num ou mais destes sintomas?

Então deve levar imediatamente o seu gato ao veterinário. Apesar de serem um indício, não são provas suficientes para fazer um diagnóstico consistente e por isso deverá recorrer sempre a exames de laboratório.

O veterinário vai pedir-lhe uma análise de sangue e de urina, e estas análises irão permitir ver se existe concentração de proteínas ou outros componentes que normalmente um rim saudável iria filtrar.

Para apoiar o processo de diagnóstico, o veterinário poderá pedir-lhe outros exames..

Análise ao sangue

A análise ao sangue vai determinar se existe concentração de dois componentes importantes – a ureia e a creatinina – sendo que a creatinina é reconhecida como um indicador mais específico da função dos rins.

Se houver um aumento destes dois componentes no sangue do seu gato, pode significar que os rins não estão a funcionar correctamente.

Mas significa obrigatoriamente que o gato sofre de IRC?

A resposta é não. Esta é uma doença complicada, e os valores das análises devem ser interpretados segundo vários factores. Por exemplo, a desidratação pode criar um aumento dos níveis de creatinina, mesmo que os rins estejam a funcionar bem.

Por isso o despiste deve ser meticuloso. Idealmente o veterinário irá basear a sua interpretação em duas amostras de sangue, obtidas com um intervalo de 2 semanas entre elas. O gato deverá estar hidratado e em jejum de 12-24h.

A concentração de sódio, potássio, fósforo, glóbulos vermelhos e proteínas, também são componentes importantes a avaliar neste tipo de exames.

Análise à Urina

Na análise à urina o veterinário irá considerar a sua concentração, o pH e a presença de proteínas, células sanguíneas, bactérias e outras células que normalmente não deveriam estar na urina do animal. Quando se desconfia que o gato pode sofrer de IRC, os exames à urina também são importantes para verificar se existem ou não infecções urinárias.

A recolha da urina pode ser feita de 3 formas diferentes

  1. através de uma areia própria não absorvente.
  2. inserindo um catéter na uretra do gato.
  3. através de um procedimento chamado cistocentese.

Deve estar a perguntar-se o que é a cistocentese?

É uma técnica de extrair a urina passando uma agulha muito fina através das paredes abdominais até à bexiga. É considerado um procedimento seguro e na maioria dos casos recolhe uma amostra mais útil para análise.

Voltemos um instante à análise da creatinina e da ureia…

Estes são os valores considerados normais em gatos saudáveis (podem variar um pouco consoante os laboratórios).

Componente Valores de Referência Unidade de medida
Creatinina 0,5 a 1,6 mg/dL
Ureia 10 a 60 mg/dL

 

É quando estes valores sofrem alterações fora do comum que começam a soar os primeiros sinais de alerta, o que nos leva a analisar as fases de desenvolvimento da doença.

Estádios da Doença

Antes de mais devemos entender que IRC evolui ao longo de 4 Estádios diferentes, que vão desde a fase inicial até à terminal. Porém, ainda antes daquele que é considerado o 1º Estádio, já existe um princípio de doença sem evidências bioquímicas.

Vejamos com atenção o desenvolvimento da doença e podemos compreender uma vez mais a importância da prevenção.

Estádio I:

Função Renal: Insuficiência renal, sem alterações bioquímicas. O animal não apresenta sintomas mas a taxa de filtração diminuiu. É muito complicado detectá-la nesta fase.
Valores de Creatinina: <1,6 mg/dL
Função Renal Remanescente: Inferior a 100%

Estádio II:

Função Renal: Falha renal inicial. Os animais podem começar a demonstrar ligeiros sintomas que podem passar despercebidos aos donos, como beber mais água do que o normal, urinar mais e comer menos.
Valores de Creatinina: 1,6-2,8 mg/dL
Função Renal Remanescente: 33%

Estádio III:

Função Renal: Falha renal urémica com concentração plasmática de creatinina e onde os sintomas já começam a ser claros. O animal ainda bebe mais água.
Valores de Creatinina: 2,9-5,0 mg/dL
Função Renal Remanescente: 25%

Estádio IV:

Função Renal: Insuficiência renal terminal. O animal já apresenta sintomas como anorexia, vómitos e mau hálito e a doença evolui até à falência dos rins.
Valores de Creatinina: >5,0 mg/dL
Função Renal Remanescente: <10%

Fonte: Faculdade de Medicina Veterinária

insuficiencia renal em gatos sintomas

Tratamento da Insuficiência Renal Crónica

Infelizmente a IRC não tem cura e por isso as terapias são todas elas sintomáticas e de suporte.

Não existe propriamente um tratamento mas sim uma gestão da doença, com o objectivo de melhorar a qualidade de vida dos gatos afectados (especialmente os no Estádio III e IV) e de abrandar a progressão da doença (Estádio II e III).

A terapia é direccionada para:

  • Minimizar a acumulação de produtos tóxicos na corrente sanguínea;
  • Manter uma hidratação adequada;
  • Abordar eventuais distúrbios na concentração de eletrólitos;
  • Apoiar uma dieta e alimentação apropriada;
  • Controlar a pressão arterial;

Na verdade a gestão da doença vai variar do estado em que se encontra o animal. O veterinário pode receitar medicamentos para a hipertensão e antibióticos caso existam infecções.

Poderá também ter de recorrer à fluidoterapia e sem dúvida vai ajustar a dieta e a alimentação do seu animal.

Fluidoterapia

Em geral este é um dos tratamentos mais indicados pelos veterinários para lidar com esta doença.

É uma terapia intravenosa ou subcutânea onde se administra uma quantidade de soro adequada, com o propósito de manter o animal hidratado, de diminuir os níveis de creatinina e de eliminar outras substâncias tóxicas.

Em fases avançadas da doença ou em crises, o gato pode precisar de ser internado para um tratamento intravenoso. Porém, se a doença estiver controlada mas necessitar de soro, pode fazê-lo em casa através do processo subcutâneo.

No entanto, a quantidade de soro e o nº de vezes devem ser sempre segundo as recomendações do veterinário.

E se nunca aplicou soro ao seu gato mas estiver a perguntar-se como se faz, é simples:

Basta colocar uma agulha debaixo da pele do seu gato e o soro passará para o organismo. É normal que no início o soro se acumule e forme uma espécie de bola na pele do seu gato, mas entretanto ele irá espalhar-se por isso não se preocupe.

Devemos realçar no entanto que, apesar de ser um processo simples, deve ser feito segundo a orientação do seu veterinário. Peça-lhe que indique quais são os materiais necessários e que ensine a aplicar.

Dieta e Alimentação

A modificação da dieta é um aspecto importante e comprovado no tratamento e gestão da IRC.

Deve procurar alimentos ou uma ração:

Baixa em:

  1. Proteína
  2. Fósforo
  3. Sódio

Alta em:

  1. Vitaminas solúveis em água
  2. Fibra
  3. Antioxidantes

Uma alimentação dentro destes parâmetros prolonga e melhora a qualidade de vida de gatos com doenças renais, mas na verdade alguns animais têm dificuldade em aceitar uma dieta terapêutica.

Como dono o que é que pode fazer quanto a isso?

Deve manter a paciência e fiel ao plano que foi traçado. Procure fazer uma transição gradual, misturando a ração normal com a terapêutica e reduzindo aos poucos a quantidade da ração antiga até retirá-la por completo.

Esta transição é especialmente importante porque gatos com IRC que fiquem sem comer podem desenvolver outros problemas de saúde, por isso garanta que ele se alimenta. Tenha em conta esta nova dieta mas também o sabor, a textura e a temperatura da ração.

Homeopatia

O efeito dos tratamentos homeopáticos causam sempre controvérsia na comunidade científica. No caso dos animais, existem veterinários que crêem nos benefícios da homeopatia, enquanto que outros recusam-na completamente. Mas não podemos deixar de falar desta abordagem terapêutica.

O site Práticas Alternativas define a homeopatia como:

“um sistema de medicina que envolve o tratamento do indivíduo com substâncias altamente diluídas, principalmente na forma de comprimidos, com o objectivo de desencadear o sistema natural do corpo de cura. Com base em seus sintomas específicos, um homeopata irá coincidir com o medicamento mais adequado para cada paciente.”

Apesar das divergências entre os veterinários quanto aos seus benefícios, existem vários testemunhos na internet de gatos que tiveram uma redução dos sintomas, uma vida mais saudável e duradoura do que a prevista em prognóstico.

Por exemplo:

insuficiência renal homeopatia

Encontrámos este testemunho num fórum em que uma dona estava desesperada porque o seu gatinho ainda era jovem e tinha sido diagnosticado com IR.

Como se pode ler, outra membro do fórum referiu que esta é uma doença grave, mas também deu o seu testemunho em relação ao sucesso da homeopatia com as gatas de uma familiar.

Se acha que esta abordagem terapêutica pode fazer sentido, fale com o seu veterinário ou consulte um especialista.

Recapitulando:

Esta doença renal é provocada pela incapacidade dos rins funcionarem devidamente. Os primeiros sintomas começam a notar-se quando os rins já só têm 33% da sua funcionalidade e mesmo aí podem passar despercebidos.

Não conseguimos acentuar isto o suficiente: Prevenção!

Faça análises com regularidade. Se existirem sinais da doença poderá começar logo a geri-la e o seu gato irá viver muito melhor e mais tempo. A esperança média de vida de um gato com insuficiência renal varia de acordo com o estádio da doença e a resposta do gato à terapia.

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ODonoCuida

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