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Lagarta do Pinheiro: Um perigo mortal

lagarta do pinheiro

A Lagarta do Pinheiro pode ser encontrada de norte a sul de Portugal, principalmente em regiões onde existe um pinhal. Entre Janeiro e Maio a atenção deve ser redobrada por quem tem cães e crianças a brincarem ao ar livre. O contacto com esta lagarta pode ser muito perigoso e até mortal. Por isso estar informado sobre este tema é tão importante.

As lagartas do pinheiro são uma praga para os pinheiros e um perigo para os animais e seres humanos. Em zonas de grande altitude pragas semelhantes tem dificuldade em sobreviver, no entanto este não é o caso desta lagarta.

lagarta do pinheiro

O ciclo de vida da Lagarta do Pinheiro

De seu nome científico Thaumetophoea pityocampa, as lagartas do pinheiro nascem no final do verão, entre Agosto e Setembro, em ninhos que são formados por norma na copa dos pinheiros. Identificar os seus ninhos nos pinheiros é extremamente fácil devido à sua aparência, uma bola de algodão branco. Nos meses seguintes de outono e início de inverno, a lagarta do pinheiro agrupa-se com a sua espécie nos ninhos. Desta forma mantêm-se quentes durante o dia, saindo apenas à noite. Estas lagartas saem do ninho ligadas por um fio de sede que é utilizado para facilitar o seu regresso em grupo.

lagarta do pinheiro

Entre Janeiro e Maio as também conhecidas como processionárias deixam o pinheiro. Elas deslocam-se em filas gigantes de lagartas, parecendo que estão numa procissão. Este percurso leva-as até ao solo para a sua última fase do seu ciclo, a metamorfose para borboletas. Assim que se transformam em borboletas passam a ser completamente inofensivas.

Porque é que as Lagartas do Pinheiro são tão perigosas para outros seres vivos?

A lagarta do pinheiro possui 8 receptáculos com aproximadamente 100 mil pêlos urticantes. Ao deslocarem-se os seus receptáculos abrem-se e acabam por libertar milhares de pêlos. Desta forma a possibilidade de intoxicação de uma pessoa ou de um animal aumenta só estando perto destas lagartas.

Os seus pêlos são como finas agulhas e quando entram em contacto directo injectam uma substância tóxica na pele ou no local tocado.

As crianças e os cães são os alvos de maior risco e por isso devem ser sempre supervisionados em jardins e locais com pinheiros. Os cães são seres curiosos e sempre que notam algo a mexer deixam-se levar pela sua curiosidade. Ao verem estas lagartas eles têm tendência a cheirá-las, lambê-las ou até tentar abocanhá-las. As crianças sendo curiosas também, acabam por agarrar nestas lagartas em segundos sem os pais se aperceberem.

Mas que tipo de perigo existe ao tocar nestas lagartas?

Por exemplo um cão ao tocar numa lagarta do pinheiro corre o risco da zona da cabeça (olhos, mucosa oral, língua) ou as patas serem afectadas pela libertação da sua substância tóxica. Para além de causar uma reacção alérgica muito forte, o mais preocupante é a necrose dos tecidos. Quanto mais tarde seja detectado o contacto com esta lagarta, maior é a probabilidade da necrose dos tecidos se alastrar. Nestes casos para os cães pode mesmo acabar por ser fatal, pois não existe qualidade de vida para manter o seu amigo de quatro patas vivo.

Ainda no dia 30 de Janeiro de 2017, 18 crianças foram internadas por terem estado a brincar com um casulo de lagartas do pinheiro em Lisboa. Como foram no mesmo dia assistidas, o caso não foi grave, sendo que as crianças ficaram apenas com manchas na pele, prurido e urticaria.

lagarta do pinheiro

A prevenção é a melhor solução e pode salvar a vida do seu animal

Para prevenir que incidentes aconteçam com o seu patudo, na hora do passeio mantenha-o com a trela. Caso este esteja solto nunca o deixe sair perto de si e esteja constantemente atento à zona e ao seu cão.

Uma óptima forma de prevenir este tipo de contacto é evitar de Janeiro a Maio as idas aos pinhais ou a jardins e locais com alguns pinheiros. No decorrer destes meses evite ao máximo brincar com o seu cão debaixo de pinheiros.

Se tiver pinheiros no seu quintal ou terreno inspeccione sempre os seus pinheiros todos os anos. Os casulos não passam despercebidos na árvore. Em caso do aparecimento peça ajuda de um profissional para acabar com os ninhos, pois queimá-lo sem experiência pode causar-lhe problemas de saúde.

Como saber se o meu cão entrou em contacto com processionárias do pinheiro?

Se está na dúvida em primeiro lugar aconselhamos que faça o despiste num veterinário.

De qualquer forma é sempre importante perceber e conhecer os sintomas do contacto entre um cão e a lagarta do pinheiro. Por norma o contacto é cutâneo, ocular ou digestivo. Nos cães os lábios, a língua e a mucosa oral são as zonas mais afectadas do corpo.

Sinais e sintomas deste tipo de contacto

  • Focinho inchado (Edema da Face)
  • Dificuldade em deglutir (Disfagia)
  • Salivação excessiva (Ptialismo)
  • Comichão intensa no focinho (Prurido)
  • Urticária
  • Apatia
  • Falta de Apetite
  • Vómito
  • Dificuldade a comer a ração

lagarta do pinheiro

A língua em contacto directo com a lagarta

Quando o animal tocou com a língua numa lagarta do pinheiro o seu volume aumenta e a sua cor altera para um tom azulado. Ao deixar passar alguns dias existem algumas zonas que os tecidos iram começar a morrer. Essa zonas ficarão com uma cor amarela e preta. Para além da língua, a infecção pode expandir-se aos lábios e garganta, embora o local de contacto directo seja sempre o mais afectado. A perda dos tecidos (necrose) ocorre num período de 6 a 10 dias.

 

Olhos como a principal zona afectada

Quando o contacto é feito na zona dos olhos de um cão este pode apresentar “olho azul” que é um edema da córnea. Para além desse edema, muitos cães afectados na zona dos olhos apresentam fobia à luz, prurido ocular, úlcera da córnea e conjuntivite.

Outros sintomas menos comuns/raros quando detectado em poucos dias o contacto

  • Choques anafilácticos
  • Tremores musculares
  • Coma
  • Morte

 

O que fazer quando um cão entra em contacto ?

Ir imediatamente ao veterinário. Se o seu veterinário não estiver aberto ou quase a fechar dirija-se às urgências de um hospital veterinário. Quanto mais rápido o seu cão for observado, existem fortes possibilidades de uma recuperação rápida e simples. Lembre-se esta é uma situação de urgência e se deixar passar vários dias o estado do seu animal irá agravar-se, podendo a recuperação ser muito lenta ou até impossível.

Se tiver água, assim que perceba que existiu contacto, limpe a zona toda que possa estar afectada e desloque-se ao veterinário mais próximo.

 

Tratamento aplicado neste caso

Ao levar o seu animal imediatamente ao veterinário ele será tratado rapidamente impedindo o surgimento da necrose. A evolução pode ser rápida caso o tratamento não seja administrado horas após o contacto.

No veterinário pode esperar que:

  • As zonas afectadas sejam lavadas
  • Administração de medicação para combater a dor, inflamação e infecções

Casos ligeiros: Os animais normalmente recuperam em 10 dias

Casos graves: O animal pode ser hospitalizado e a sua recuperação ser bastante demorada

Casos muito graves: O animal será hospitalizado, podem ser removidos vários tecidos e em casos que comprometem a qualidade de vida do animal este poderá ser sujeito a eutanásia.

Lembre-se que não existe nenhum antidoto contra a toxina das lagartas do pinheiro. Todavia estar atento ao seu animal e assim que suspeitar que algo não está bem leve-o imediatamente a um veterinário. O seu cuidado e zelo podem salvar-lhe  avida.

Onde foram vistas lagartas do pinheiro este ano?

Esta informação foi retirada do facebook da 4 Animals

LOCAIS ONDE FORAM AVISTADAS LAGARTAS DO PINHEIRO:
BENFICA – Mata; TELHEIRAS – Rua Poeta Bocage (Infor. Inês Cansado Centeno);
MONSANTO (infor. Rita Barbosa e Ju Fernandes);
S. Marcos – CACÉM; AV. DO BRASIL (infor. Maura Fonseca);
ALGÉS – Parque Canino – Rua quinta da formiga (infor. Karla Menezes);
ALFRAGIDE SUL, Junto ao Poli Desportivo, perto Super Amanhecer (Infor. Mariana Perucho); QUEIJAS – Rua São João Bosco, perto da estrada militar (Infor. Inês Stirman);
CASCAIS, Entre a Telepizza e a Casa da Guia (Infor. Ricardo Regalla Dias-Pinto);
OLIVAIS NORTE [perto da Igreja de St Eugénio, no circuito de manutenção junto à 2ª circular, e vale do Silêncio] (Infor. Inês Peres e Cristina Oliveira);
PÓVOA de SANTO ADRIÃO [Parque Central da Póvoa de Sto Adrião] (Infor. Cláudia Flor).

Veja mais artigos sobre a saúde do cão aqui.

 

 

 

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