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Sarna em Cães e Humanos – Sintomas e Tratamento

sarna nos cães

Sabia que a sarna canina é um assunto muito importante de saúde pública?

A razão é simples. Crê-se que 50% da sarna em humanos deriva do contacto directo com cães infectados. (Fonte)

A boa notícia é que dos dois principais tipos de sarna que afectam os cães, apenas uma delas é contagiosa para os humanos e animais. A má notícia é que a outra é muito mais grave.

Tabela de Conteúdos

 

A diferença da sarna humana e canina

Dos dois tipos de sarna canina que referimos, a sarcóptica é a contagiosa e facilmente transmissível, tanto para humanos como para cães e gatos (apesar do contágio ser mais raro nos gatos).

Mas o facto de ser contagiosa, não significa que seja grave para nós.

Isto porque principal diferença entre a sarna humana e a sarcóptica está no tipo de ácaro.

Ambas são causadas pelo Sarcoptes Scabiei, mas apenas a variedade hominis do parasita tem maiores complicações para o ser humano.

Ao contrário da canina, a hominis é contagiosa apenas entre pessoas, e é ela que inspira maiores cuidados de saúde para nós. A razão é simples, a variedade canis (que atormenta os cães) não se reproduz na pele humana e por isso não sobrevive durante muito tempo.

A probabilidade é que dure apenas o tempo de vida do ácaro e que desapareça da pessoa caso esta deixe de ter contacto com o animal infectado, ou assim que ele for tratado.

Contudo, paraos cães a doença é extremamente incomodativa e pode deteriorar o estado geral do animal. É essencial que haja intervenção veterinária, e quanto mais cedo melhor.

Sarna nos Cães

Os diferentes tipos de sarna

Como mencionámos anteriormente, existem dois tipos principais, mas bastante diferentes um do outro. A sarcóptica que pode afectar todos os cães e é contagiosa e a demodécica que é suscitada principalmente por deficiências genéticas ou fragilidades do sistema imunitário.

Para além destes dois tipos principais, existem ainda a otodécica e a por cheyletiella.

Sarcóptica

O que é

É o tipo mais comum e frequente da doença. Como identificámos anteriormente, o parasita responsável é o ácaro Sarcoptes scabiei canis que vive dentro da pele dos cães infectados, provocando imensa comichão e lesões na pele.

As fêmeas do parasita são as principais responsáveis pela comichão, uma vez que escavam túneis na pele do cão onde depositam os ovos.

Transmissão

É uma doença extremamente contagiosa e a transmissão ocorre maioritariamente por contacto directo. No entanto, o parasita pode sobreviver no ambiente até cerca de 21 dias, por isso o contágio poderá também ocorrer através de objectos como mantas, sofás, almofadas, lençóis entre outros.

É uma zoonose, isto é, pode também ser transmitida ao ser humano, mas o seu efeito nas pessoas não é grave nem difícil de curar porque o ácaro não sobrevive na pele humana durante muito tempo.

Ainda no que diz respeito ao contágio humano devemos realçar que uma pessoa infectada pode contagiar um cão saudável.

sarna canina

Sintomas

1 – Comichão muito intensa que faz com que o cão não consiga parar de se coçar e morder as zonas afectadas.

2 – A infecção pode aparecer em qualquer zona do corpo, mas é mais comum começar dentro e ao redor das orelhas, focinho, membros e abdómen.

3 – Podem desenvolver-se crostas e pústulas, o que conduz a inflamações e infecções secundárias e erupções avermelhadas na pele.

4 – Outro sintoma comum é a queda excessiva de pêlo.

Diagnóstico

Se suspeitar que o seu cão foi infectado, a primeira coisa a fazer é recorrer ao veterinário. Caso os sintomas se verifiquem o diagnóstico pode ser feito com base no historial do cão e da sintomatologia, ou verificado pelo método mais comum, isto é, através de uma raspagem da pele de uma das zonas mais afectadas.

A amostra de pele será observada ao microscópio para confirmar a presença dos ácaros.

Tratamento

O médico veterinário irá indicar o melhor tratamento para a situação e supervisioná-lo. É importante que não tente curar o seu animal por conta própria.

Em simultâneo ao tratamento, o cão deverá ser isolado visto que o risco de contágio é elevado.

O tratamento em si deverá consistir em shampoos anti-ácaros que podem também ser acompanhados por medicamentos.

Caso se verifiquem infecções bacterianas secundárias poderá também ser necessário combatê-las com antibióticos.

Prevenção

Visto ser uma doença extremamente contagiosa a melhor forma de preveni-la é evitando que o seu cão contacte com outros animais e ambientes infectados.

Ao mínimo sinal ou suspeita de sarna leve-o ao veterinário, porque um diagnóstico precoce facilitará o tratamento e a recuperação.

Demodécica

O que é

A sarna demodécica, também conhecida como sarna negra, ocorre quando existe um aumento excessivo de ácaros Demodex na pele dos cães.

Causas e Transmissão

A presença destes ácaros é normal na pele dos cães. Quase todos eles obtêm-nos poucas horas depois do seu nascimento. São transmitidos pela mãe durante a amamentação ou entre os cachorros da ninhada.

Estes ácaros só se tornam um verdadeiro problema quando em número excessivo. Isso acontece quando existe uma conjugação de factores genéticos e imunológicos no animal.

Nos cães mais jovens pode ocorrer através de um defeito imunológico celular que comprometa a qualidade dos linfócitos que combatem estes ácaros, permitindo que se reproduzam em quantidades exageradas.

Pode também manifestar-se quando existem outros factores que fragilizam o sistema imunológico dos cães, como por exemplo a má nutrição, cancro, stress, ansiedade, entre outros.

Assim, ao contrário da sarcóptica, a sarna negra não é considerada uma doença contagiosa.

Formas

Sarna Demodécica Localizada

A sua forma localizada representa cerca de 90% de demodicose canina, e é mais frequente nos cães jovens (até 1 ano). Afecta principalmente a face do cão, com perdas de pêlo bem circunscritas ao redor das pálpebras, lábios e cantos da boca.

Por vezes o tronco, as pernas e as patas podem também ser afectadas. Em alguns casos a pele pode escamar e ficar vermelha.

Na maioria dos casos a demodicose canina localizada é resolvida espontaneamente entre 6 a 12 semanas.

É raro existirem reincidências, mas durante vários meses as lesões podem aparecer e desaparecer.

Cerca de 10% da sarna negra localizada evolui para a forma generalizada, algumas tão rapidamente que a forma localizada passa despercebida.

Sarna Demodécica Generalizada

É mais frequente nos cachorros até aos 18 meses e é das doenças de pele mais severas nos cães.

Normalmente resulta de lesões localizadas que se agravam com o tempo, mas pode também aparecer logo na forma generalizada.

Considera-se demodicose generalizada quando se verifica um dos seguintes sinais:

1 – Existem mais de 12 lesões localizadas

2 – Afecta uma região corporal completa (ex: face do cão)

3 – Envolvimento completo de duas ou mais patas.

A pele afectada pode apresentar:

1 – Pele avermelhada escura ou cinzenta.

2 – Edema e seborreia.

3 – Pele escamada semelhante a caspa.

4 – Pontos negros (termo técnico: comedões)

5 – Hiperpigmentação

6 – Pústulas

7 – Erosões

8 – Crostas

9 – Úlceração

sarna demodécica canina

As zonas mais afectadas são sobretudo a cabeça, o tronco e os membros. O abdómen é a região menos afectada, possivelmente por ter menos pêlos.

Como já referimos, a doença nos cachorros pode ser uma evolução da sua forma localizada, e existem entre 30 a 50% de hipóteses de recuperarem espontaneamente.

Em cães mais velhos, que tenham sido afectados pelas fragilidades do seu sistema imunológico a recuperação espontânea é improvável.

De novo consideramos que à mínima suspeita, o ideal é consultar o veterinário e impedir que a doença evolua.

Tratamento

Forma Localizada: Se necessário, o tratamento é feito através de gel, cremes, loções ou shampoo à base de peróxido de benzoílo, aplicado no pêlo de 2 a 3 vezes ao dia.

Forma Generalizada: Continua a ser uma doença de tratamento complicado, porém possível. O tratamento é tópico à base de acarícidas, no entanto são poucos os medicamentos eficazes contra o ácaro Demodex.  Por isso mesmo requer ainda uma maior prudência.

Estudos recentes demonstraram bons resultados na diminuição destes ácaros através da ingestão ou aplicação de produtos anti-parasitários.

De novo reafirmamos que não deve tentar resolver problemas de saúde animal por conta própria. Consulte sempre o médico veterinário que ele saberá a melhor forma de abordar o problema.

Prevenção

A prevenção passa por uma abordagem holística que considera o microcosmos (o ácaro na pele) e o macrocosmos (o indivíduo, as suas necessidades, deficiências, relações com o ambiente em que vive, o clima e a sua nutrição).

Quanto à nutrição, manter uma dieta equilibrada que corresponda às necessidades individuais do seu cão é essencial. Aqui deve ter em conta uma alimentação que vise a melhoria da imunidade do animal e das características da sua pele. Aconselhe-se com o veterinário sobre a melhor opção.

Procure manter o ambiente do seu cão o mais limpo e arejado possível.

Quanto aos banhos, não exagere. Nas doenças de pele o excesso de banhos pode ser prejudicial. Novamente o melhor é pedir ao médico veterinário que faça uma recomendação sobre a frequência dos banhos e os produtos a utilizar.

Manter o cão livre de stress e ansiedade também é ideal para não comprometer o sistema imunológico.

Otodécica

sarna nos cães

O que é

Popularmente conhecida como sarna do ouvido, é causada por um ácaro chamado Otodectes cynoti. A sarna otodécica não é uma zoonose, ou seja, não é transmitida do animal para o ser humano.

Transmissão

Assim como a sarcóptica, a transmissão ocorre principalmente por contacto directo do animal infectado com outro saudável.

Sintomas

É na maioria das vezes confundida com uma otite, porque os sinais clínicos são semelhantes.

Como é comum nas sarnas, um dos primeiros sintomas é uma imensa comichão, mas neste caso, apenas na região da orelha.

Outros sintomas são o balançar da cabeça de um lado para o outro e uma alta concentração de cera de cor castanha escura e irritação no ouvido.

As lesões podem também espalhar-se em redor das orelhas, pescoço e cabeça.

Se a quantidade de parasitas for alta, os animais podem também apresentar alguma inquietude, perda de peso, otite entre outros sinais.

Diagnóstico

Um exame otoscópico pode identificar os ácaros adultos no canal auditivo, porém após o exame, a recolha de amostras de cera para análise em laboratório é o passo seguinte. Esta análise irá confirmar a presença do ácaro do ouvido do seu cão.

Tratamento

O prognóstico para a cura deste tipo de sarna é bastante bom, desde que siga o protocolo de tratamento indicado pelo veterinário.

Prevenção

Sendo uma doença contagiosa, a prevenção passa pelo mesmo processo que a sarcóptica. Evitar o contacto com animais ou ambientes que possam estar infectados.

Sarna Humana

sarna humana

A escabiose, ou sarna humana é uma doença de pele causada pelo ácaro Sarcoptes Scabiei hominis. É uma infecção contagiosa, mas ao contrário da variedade canis que pode ser transmitida de cães para pessoas, a hominis não pode ser transmitida para cães.

O contágio ocorre apenas entre pessoas através de contacto físico e os surtos em locais com muita gente podem ocorrer rapidamente, como demonstra esta notícia.

Pode também ser feito através de objectos como roupas, toalhas e outras. Isto porque o ácaro consegue sobreviver até 2 dias no ambiente.

Sintomas

Os sintomas manifestam-se cerca de 6 semanas depois da infecção, mas podem surgir em apenas 24h em pessoas reinfectadas. Mas mesmo que os sintomas não se tenham manifestado, a transmissão pode ocorrer na mesma.

Como é típico nas sarnas, o seu sintoma clássico é uma tremenda comichão. As lesões normais são pequenos pontos avermelhados na pele que podem passar despercebidos.

Estas lesões podem ser difusas, mas envolvem normalmente locais como as mãos, pulsos, cotovelos, axilas, umbigo, joelhos, coxas e pés.

Tratamento

Poderá ser feito à base de cremes ou comprimidos, mas deverá ser sempre com aconselhamento e supervisão profissional.

Visto que podem passar até 6 semanas para que se apresentem os primeiros sintomas, também é recomendado fazer o tratamento às pessoas com quem o paciente costuma contactar regularmente.

A Sarna por Cheyletiella

O que é

Também conhecida como “caspa ambulante” é outro dos tipos de sarna extremamente contagiosa.

É provocada por um ácaro grande conhecido como Cheyletiella, que vive na superfície da pele provocando lesões principalmente no dorso. Os ovos deste parasita prendem-se firmemente aos pêlos do hospedeiro.

Existem várias espécies do ácaro que afectam animais diferentes. A Cheyletiella yasguri afecta os cães, a Cheyletiella blakei os gatos e os coelhos são afectados pela parasitivorax.

Todas estas espécies são zoonoses e podem ser transmitidas para os humanos.

Transmissão

Pode ser transmitida de duas formas diferentes;

  • Através do contacto directo com os ácaros ou os seus ovos.
  • Através do ambiente, pelos ovos ou pelas fêmeas que conseguem sobreviver até 10 dias fora do hospedeiro.
Sintomas

Os sintomas principais são a dermatite com comichão intensa, onde se forma inicialmente uma descamação da pele.

Diagnóstico

É feito um processo que confirme a presença do ácaro e dos ovos no animal. Pode ser um exame à lupa, uma raspagem de pele ou qualquer outra forma que o veterinário ache adequada.

Tratamento

A maioria dos casos pode ser tratado através da aplicação de anti-parasitários. Crê-se que a redução destes casos tem diminuído bastante graças à eficácia destes produtos e à desparasitação regular dos animais.

Poderão também ser utilizados produtos acarícidas tópicos ou sistémicos e todos os animais potencialmente afectados devem ser tratados, dada a facilidade de contágio.

A desinfestação do ambiente é também muito importante visto que os ovos podem ser uma fonte de reincidência.

De novo aconselhamos a contactar o veterinário nestes casos.

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